STF nega aposentadoria integral para aposentadoria por incapacidade permanente
STF confirma regra da Reforma da Previdência e nega aposentadoria integral por doença grave sem relação com o trabalho
STF confirma regra da Reforma da Previdência e nega aposentadoria integral por doença grave sem relação com o trabalho
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter uma das regras mais controversas da Reforma da Previdência de 2019, trazendo impacto direto para milhares de segurados do INSS. Por maioria apertada, a Corte confirmou que a aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez) só será integral quando a doença ou incapacidade tiver relação com o trabalho.
Com isso, segurados acometidos por doença grave não ocupacional passam a receber o benefício de forma proporcional, o que pode representar uma redução expressiva no valor mensal pago pelo INSS.
O que o STF decidiu sobre a aposentadoria por incapacidade permanente
O julgamento foi concluído por seis votos a cinco, mantendo o trecho da Reforma da Previdência que alterou a forma de cálculo do benefício. A regra passou a integrar o texto constitucional, dificultando qualquer mudança imediata por via judicial.
Segundo o entendimento vencedor, a concessão da aposentadoria integral apenas nos casos de incapacidade decorrente do trabalho seria necessária para garantir o equilíbrio financeiro e atuarial da Previdência Social.
Como ficou o placar do julgamento no STF
Votaram pela flexibilização da regra, defendendo a aposentadoria integral também para doenças não relacionadas ao trabalho, os ministros Edson Fachin, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes.
Por outro lado, prevaleceu o entendimento de que a Reforma da Previdência não violou direitos fundamentais. O voto de desempate foi do ministro Luiz Fux, que destacou o impacto financeiro estimado em centenas de bilhões de reais caso a regra fosse derrubada. O ministro Gilmar Mendes acompanhou esse posicionamento, reforçando a necessidade de preservação da sustentabilidade do sistema previdenciário.
Qual é o impacto da decisão para o segurado do INSS
Na prática, a decisão do STF consolida um cenário de redução de renda para segurados permanentemente incapacitados por doenças graves que não tenham vínculo direto com o exercício da atividade profissional.
Isso significa que:
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A incapacidade permanente não garante mais aposentadoria integral automaticamente;
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O valor do benefício passa a ser calculado de forma proporcional ao tempo de contribuição;
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Apenas a incapacidade decorrente de acidente de trabalho, doença ocupacional ou equiparada assegura o pagamento integral.
Essa diferenciação tem sido alvo de críticas por criar tratamentos distintos entre segurados igualmente incapazes, com base exclusivamente na origem da doença.
Doença grave dá direito à aposentadoria integral?
Após a decisão do STF, a resposta é não, necessariamente. A gravidade da doença, por si só, não assegura o benefício integral. O fator determinante passa a ser o nexo causal com o trabalho.
Mesmo doenças severas e incapacitantes, quando consideradas comuns, resultam em aposentadoria com valor reduzido, o que aumenta a vulnerabilidade econômica do segurado e de sua família.
Ainda existem alternativas para o segurado?
Apesar da decisão, cada caso deve ser analisado individualmente. Em muitos processos ainda é possível discutir:
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A existência de nexo entre a doença e o trabalho, mesmo que inicialmente negado;
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Erros no cálculo do benefício;
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Reconhecimento de períodos contributivos que aumentem o valor final;
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Aplicação de teses revisionais específicas, conforme o histórico do segurado.
A informação correta e a análise técnica do caso continuam sendo fundamentais para evitar prejuízos irreversíveis.
Conclusão
A decisão do STF representa uma vitória fiscal para o Estado, mas impõe um ônus significativo ao segurado incapacitado. A aposentadoria por incapacidade permanente deixou de ser sinônimo de proteção integral, exigindo atenção redobrada no momento do pedido administrativo ou da judicialização.
Antes de aceitar o valor concedido pelo INSS, é essencial buscar orientação especializada para avaliar se o cálculo está correto e se existem medidas possíveis para minimizar os impactos da regra atual.
